A disputa pela banda larga fixa brasileira ganhou um novo componente em 2026: a conexão via satélite. Em agosto, a Starlink alcançou 936,8 mil acessos no país e passou a TIM, que registrou 929,9 mil. Com a marca, a empresa chegou à nona posição do ranking nacional, em um movimento que amplia a presença de uma tecnologia diferente das redes terrestres tradicionais.
A diferença entre as duas companhias foi de 6.925 acessos, segundo levantamento divulgado em 7 de outubro de 2026 com base em dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A Starlink ficou com 1,62% do mercado de banda larga fixa, enquanto a TIM teve participação de 1,61%. Os percentuais mostram que a mudança ocorreu por uma margem estreita, mas representa uma alteração concreta na ordem das empresas.
O resultado também chama atenção pelo ritmo de crescimento. Entre janeiro e agosto de 2026, a base da Starlink aumentou aproximadamente 42,7%. No mesmo intervalo, a TIM avançou 7,3%. A comparação indica que, embora as duas empresas estejam praticamente empatadas em participação, a expansão da operadora de internet via satélite foi mais acelerada no período.
Starlink avança em um mercado dominado por redes terrestres
Os números publicados pelo Canaltech colocam a Starlink entre as dez maiores empresas do segmento no Brasil. A posição ainda está distante das líderes, mas evidencia o espaço conquistado por um modelo de conectividade baseado em satélites, especialmente em um setor historicamente associado à fibra óptica, ao cabo e a outras infraestruturas instaladas em terra.
Em agosto, a Claro liderava o ranking, com 10,88 milhões de acessos. A Vivo aparecia na segunda colocação, com 8,54 milhões, enquanto a Nio tinha 3,47 milhões. Somadas, as empresas do mercado alcançavam aproximadamente 57,89 milhões de acessos de banda larga fixa no Brasil.
Nesse cenário, os 936,8 mil acessos da Starlink correspondem a uma parcela pequena do total nacional, mas suficiente para superar uma operadora tradicional como a TIM. A leitura dos dados é, portanto, dupla: a empresa de satélite ainda não ameaça as líderes em escala, porém já ocupa uma posição relevante entre os principais participantes do mercado.
Conectividade em áreas afastadas ganha relevância
A expansão da Starlink interessa especialmente ao debate sobre acesso à internet em regiões onde a instalação de redes terrestres pode ser mais difícil. Localidades rurais, comunidades afastadas e áreas com menor infraestrutura aparecem como públicos potencialmente impactados pela ampliação de alternativas de conexão via satélite.
Esse tipo de serviço pode alterar a forma como consumidores e empresas avaliam as opções de banda larga disponíveis, sobretudo quando a cobertura por fibra óptica ou outras redes fixas não acompanha a demanda. Os dados de agosto não detalham, na pauta divulgada, a distribuição regional dos acessos da Starlink, mas mostram que a tecnologia já alcançou escala suficiente para aparecer à frente de uma operadora nacional no ranking.
Para o consumidor, a mudança não significa que a conexão via satélite tenha substituído as redes convencionais no país. O mercado continua concentrado nas grandes operadoras, e a participação da Starlink permanece em 1,62%. O principal sinal é a diversificação da concorrência: além de disputar clientes com empresas que utilizam infraestrutura terrestre, a companhia passou a influenciar a composição do ranking de banda larga fixa.
Diferença pequena, mudança simbólica no mercado
A ultrapassagem da TIM deve ser observada com cautela porque a distância entre as duas empresas é reduzida. Uma variação de poucos milhares de acessos pode alterar novamente a ordem em levantamentos posteriores. Ainda assim, o avanço acumulado pela Starlink ao longo dos oito primeiros meses do ano reforça a relevância do resultado de agosto.
A informação divulgada em 7 de outubro oferece um retrato específico do mercado, baseado nos acessos registrados naquele período. Ela não permite concluir, sozinha, que a Starlink manterá a nona posição nos meses seguintes nem que a tendência de crescimento continuará no mesmo ritmo. O dado mais objetivo é que, naquele recorte, a empresa ficou à frente da TIM.
O movimento acompanha a transformação do mercado brasileiro de conectividade, no qual diferentes tecnologias passam a disputar espaço para atender perfis variados de consumidores. A banda larga via satélite ainda representa uma fração do total, mas seu crescimento modifica o equilíbrio entre as empresas e amplia as alternativas para locais que não são atendidos da mesma forma pelas redes tradicionais.

