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Bitcoin, Ethereum e altcoins: entenda as diferenças no novo cenário regulatório

Diego Rodríguez VelázquezDiego Rodríguez Velázquezjulho 20, 202605 Mins de leitura1
Paulo de Matos Junior
Paulo de Matos Junior

Com o mercado de criptoativos brasileiro entrando em uma fase de maior regulação, cresce também o interesse de investidores iniciantes em entender as diferenças entre os principais ativos digitais disponíveis. Paulo de Matos Junior, que atua com câmbio e criptoativos desde 2017, costuma destacar que compreender o propósito de cada tipo de ativo é o primeiro passo antes de qualquer decisão de investimento, muito antes de olhar para o preço. O universo cripto reúne milhares de ativos diferentes, mas a maior parte da capitalização do mercado ainda se concentra em um pequeno grupo de projetos com anos de histórico e adoção consolidada. Entender o que diferencia esses ativos ajuda o investidor a formar uma visão mais clara sobre onde cada um se encaixa dentro do ecossistema.

O que torna o Bitcoin diferente dos demais ativos?

O Bitcoin foi criado em 2009 como uma proposta de dinheiro digital descentralizado, sem depender de bancos ou governos para funcionar. Sua principal característica técnica é a oferta limitada a 21 milhões de unidades, um limite definido em seu protocolo original e que não pode ser alterado. Essa escassez programada é o argumento mais citado por quem trata o Bitcoin como uma espécie de reserva de valor digital, em paralelo ao papel histórico do ouro. Ao longo dos últimos anos, o ativo passou a atrair também investidores institucionais, com a criação de fundos negociados em bolsa e a entrada de grandes empresas e até de reservas estatais em outros países. Esse tipo de adoção amplia a liquidez do ativo, mas não elimina sua volatilidade, que continua sendo uma característica central do mercado cripto como um todo.

Por outro lado, o Ethereum não nasceu apenas como forma de pagamento. Sua proposta original era servir de base para contratos inteligentes, aplicações descentralizadas e outros ativos digitais construídos sobre sua rede. É essa característica que sustenta boa parte do mercado de finanças descentralizadas e de tokenização de ativos reais, atualmente em expansão no Brasil e no mundo. 

Ao longo de 2025, o Ethereum passou por atualizações técnicas relevantes voltadas à escalabilidade e à eficiência da rede, o que reforçou sua posição como principal infraestrutura para projetos que dependem de contratos inteligentes. Para profissionais que acompanham a convergência entre câmbio, tecnologia e ativos digitais, como Paulo de Matos Junior, esse papel de infraestrutura ajuda a explicar por que o Ethereum costuma ser tratado como o segundo ativo mais relevante do setor, atrás apenas do Bitcoin em capitalização de mercado.

O que caracteriza as chamadas altcoins?

Todo criptoativo que não é o Bitcoin costuma ser chamado de altcoin, uma categoria que reúne desde projetos com anos de desenvolvimento e adoção real até tokens criados com pouca substância técnica por trás. Ativos como os que sustentam redes de contratos inteligentes alternativas, soluções de pagamento internacional ou protocolos de finanças descentralizadas fazem parte desse grupo, assim como criptomoedas criadas majoritariamente para fins especulativos.

Essa diversidade exige atenção redobrada do investidor iniciante. Paulo de Matos Junior ressalta que critérios como capitalização de mercado mínima, presença em exchanges regulamentadas e existência de um caso de uso real e verificável ajudam a diferenciar projetos com fundamentos daqueles que dependem quase exclusivamente da expectativa de valorização de curto prazo.

Paulo de Matos Junior
Paulo de Matos Junior

Por que o contexto regulatório muda a forma de avaliar esses ativos?

As Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, em vigor desde fevereiro de 2026, não avaliam o mérito técnico de cada criptoativo, mas alteram o ambiente em que eles são negociados no Brasil. Exchanges que operam sem autorização do Banco Central estão gradualmente saindo do mercado nacional, o que tende a concentrar a negociação de Bitcoin, Ethereum e das principais altcoins em plataformas já submetidas a exigências de governança, segurança e segregação patrimonial. Esse ambiente mais regulado não reduz a volatilidade de preços nem elimina os riscos inerentes a cada tipo de ativo, mas oferece mais clareza sobre quem está autorizado a prestar esse tipo de serviço no país. Para investidores iniciantes, entender essa diferença entre risco de mercado e risco da plataforma escolhida é um passo importante antes de se aprofundar em qualquer ativo específico.

Stablecoins: uma categoria à parte dentro do mercado cripto

Além de Bitcoin, Ethereum e das demais altcoins, existe ainda uma categoria de ativos digitais atrelados ao valor de moedas tradicionais, como o dólar, conhecidos como stablecoins. Diferente dos demais criptoativos, seu objetivo não é a valorização, mas a estabilidade de preço, o que as torna úteis principalmente como ponte entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema cripto, seja para transferências internacionais, seja como reserva de liquidez dentro de exchanges. Esse tipo de ativo toca diretamente temas como remessas internacionais e conversão entre moedas, áreas próximas ao mercado de câmbio tradicional em que atua Paulo de Matos Junior.

Esse crescimento do volume negociado em stablecoins reflete uma mudança estrutural no mercado cripto global, que deixou de depender apenas dos ciclos de valorização de Bitcoin e altcoins para expandir sua base de usuários e casos de uso. Para o investidor iniciante, entender essa categoria ajuda a diferenciar ativos pensados para preservar valor daqueles pensados para buscar valorização, cada um com uma função distinta dentro de uma carteira diversificada.

Educação como ponto de partida, não o preço do ativo

Antes de decidir em qual criptoativo investir, especialistas do setor recomendam entender a tecnologia por trás de cada projeto, seu histórico de adoção e os riscos específicos envolvidos, sem se basear apenas na expectativa de valorização. Esse tipo de abordagem educativa tende a proteger o investidor iniciante de decisões tomadas com base em euforia de curto prazo, tão comuns em um mercado ainda marcado por forte volatilidade. Paulo de Matos Junior conclui que, nesse contexto, a educação financeira e o bom entendimento das dinâmicas por trás de cada ativo seguem essenciais.

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