O universo digital de viagens foi abalado recentemente por um caso de plágio que expôs práticas questionáveis de alguns influenciadores brasileiros. A britânica Kirstie, conhecida pelo perfil @kirstiewilltravel, denunciou que o casal de criadores Deisi Remus e Guilherme Cury copiou integralmente seu guia de viagem sobre a Rota dos Quadrinhos de Bruxelas. O episódio levanta reflexões sobre ética, propriedade intelectual e o impacto da reprodução indevida de conteúdo em redes sociais e sites de turismo.
Kirstie relatou que o guia original, publicado em janeiro de 2024, detalhava atividades, curiosidades e destinos específicos em Bruxelas, e que a versão plagiada surgiu no site experienciaspelomundo.com.br em junho de 2025. Segundo a influenciadora, não se tratou apenas de tradução: as fotos e o mapa interativo criados por ela também foram usados sem autorização, algumas imagens editadas para remover sua presença. O material, inclusive, rendeu ao casal um prêmio nacional de jornalismo de viagens, posteriormente cancelado após a denúncia.
O episódio evidencia uma prática cada vez mais preocupante no meio digital: a apropriação indevida de conteúdo para ganhos pessoais ou reconhecimento. No caso em questão, Deisi e Guilherme possuíam seguidores expressivos, mais de 100 mil no Instagram e 200 mil no TikTok, além de parcerias com marcas de moda, Airbnb e companhias aéreas. O contraste entre a visibilidade profissional e a conduta antiética demonstra como o sucesso nas redes nem sempre reflete integridade na produção de conteúdo.
Após a denúncia, Kirstie entrou em contato com os organizadores do prêmio e com outros criadores afetados, resultando na remoção do material plagiado e na exclusão de perfis no Instagram e TikTok relacionados ao casal. Apesar disso, a influenciadora alertou que conteúdos semelhantes continuam sendo reproduzidos sem crédito, mostrando que a vigilância e a educação digital são essenciais para proteger autores originais.
O caso também chama atenção para a necessidade de mecanismos mais robustos de verificação de autoria, especialmente em plataformas que valorizam a originalidade e a autenticidade. O ambiente digital oferece oportunidades para criadores alcançarem audiências globais, mas também exige responsabilidade e respeito aos direitos autorais. Ferramentas de rastreamento, notificações de copyright e uma cultura de transparência podem minimizar incidentes semelhantes.
Para o público, a situação reforça a importância de discernimento ao consumir conteúdo online. Seguir influenciadores que produzem material autêntico, verificável e com referências claras é uma maneira de apoiar a integridade da produção digital. Já para os criadores, o episódio serve como alerta sobre os riscos legais e reputacionais do plágio, que vão desde a perda de credibilidade até sanções formais.
Além do impacto imediato sobre os envolvidos, a repercussão deste caso evidencia como o respeito à autoria é fundamental para a credibilidade do setor de viagens e turismo digital. Marcas, empresas e instituições que trabalham com influenciadores também precisam adotar critérios rigorosos na escolha de parceiros, garantindo que campanhas e conteúdos sejam genuínos e originais.
A denúncia de Kirstie não apenas restabeleceu a justiça em relação ao prêmio indevidamente recebido, mas também abriu um debate sobre ética na criação de conteúdo, responsabilidade profissional e proteção da propriedade intelectual no ambiente online. É um lembrete de que, mesmo em redes sociais, transparência, autenticidade e respeito ao trabalho alheio são valores indispensáveis para o desenvolvimento sustentável do mercado digital.
O episódio evidencia que o sucesso de um influenciador não deve ser medido apenas pelo número de seguidores ou prêmios conquistados, mas pela consistência ética e pelo compromisso com a originalidade. Para o setor de turismo, essa discussão é crucial, já que guias, roteiros e experiências compartilhadas dependem da confiança do público e da credibilidade do conteúdo divulgado.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

