O engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, trabalha com uma premissa que vem se tornando cada vez mais central no debate sobre infraestrutura no país: obras de grande porte não são mais apenas desafios de engenharia civil. São, antes de tudo, projetos com consequências ambientais profundas, e precisam ser tratadas como tal desde a concepção.
O setor de infraestrutura está passando por uma transformação silenciosa, mas estrutural. A pressão por critérios ESG (Environmental, Social and Governance, que traduz “ambiental”, “social” e “governança”) deixou de ser uma exigência de relatórios anuais e migrou para o canteiro de obras. Financiadores públicos e privados, incluindo o BNDES e bancos multilaterais como o BID e o Banco Mundial, passaram a condicionar o acesso a crédito à adoção de práticas sustentáveis mensuráveis ao longo de toda a cadeia de execução. Quem não se adapta fica de fora dos projetos mais relevantes.
O que mudou, na prática, é a hierarquia de decisões dentro de uma grande obra. A sustentabilidade saiu do apêndice dos projetos e foi para a primeira página. Essa inversão tem nome técnico, consequências financeiras e está redesenhando o mercado de infraestrutura ambiental no Brasil.
A nova equação do licenciamento ambiental
Nas obras de médio e grande porte, o licenciamento ambiental sempre foi encarado como um obstáculo burocrático a ser superado o mais rápido possível. Essa mentalidade começa a mudar, com empresas agora compreendendo o licenciamento como parte estratégica do projeto, e não como uma etapa paralela e incômoda. O resultado disso é a redução de conflitos com comunidades, antecipação de riscos regulatórios e entrega de obras dentro do prazo com menos autuações e paralisações.
Odair José Mannrich atua justamente nessa interface, em que a engenharia técnica encontra a gestão ambiental. Saber identificar, já na fase de projeto, quais aspectos socioambientais podem comprometer a execução é uma competência que poucos escritórios desenvolveram com profundidade.

Materiais, tecnologia e a reinvenção do canteiro
A construção civil brasileira de 2026 incorpora tecnologias que estavam em fase experimental há cinco anos. O concreto verde, que incorpora resíduos industriais na sua composição, começa a escalar para além dos projetos experimentais. O asfalto com polímeros reciclados, desenvolvido inicialmente em rodovias europeias, aparece em trechos de infraestrutura urbana de cidades como São Paulo e Curitiba. Sensores de monitoramento em tempo real, integrados a sistemas de gestão baseados em inteligência artificial, permitem que os gestores de obra antecipem falhas, reduzam desperdício e documentem o histórico ambiental de cada etapa construtiva.
O BIM, Building Information Modeling (Modelamento de Informação de Construção), evoluiu para os chamados gêmeos digitais operacionais: modelos tridimensionais que acompanham a obra do projeto à operação, alimentados por dados em tempo real. Em projetos de infraestrutura ambiental, como estações de tratamento de esgoto, aterros controlados ou sistemas de drenagem urbana, essa ferramenta tem se mostrado especialmente valiosa para prever comportamentos estruturais e otimizar o desempenho ambiental das instalações ao longo do tempo, expõe Odair José Mannrich.
O desafio da escala: da inovação ao padrão de mercado
Tecnologias sustentáveis existem. O problema do Brasil, segundo Odair José Mannrich, é a dificuldade de levá-las da fase piloto para a escala industrial. A fragmentação do mercado de infraestrutura, com milhares de municípios tomando decisões independentes sobre saneamento, resíduos e mobilidade, cria barreiras à padronização e ao ganho de escala. Um município pequeno dificilmente tem capacidade técnica e financeira para contratar projetos com o nível de sofisticação que as novas demandas ambientais exigem.
A saída tem passado por consórcios intermunicipais, parcerias público-privadas e a atuação de empresas de engenharia capazes de desenvolver projetos replicáveis, adaptados às condições locais, mas com metodologias testadas e validadas. É nesse espaço que a inovação em infraestrutura ambiental começa a encontrar seu caminho para a escala.
A nova responsabilidade técnica do engenheiro ambiental
A profissão de engenheiro mudou. O profissional que hoje atua em obras de infraestrutura ambiental precisa dominar não apenas cálculo estrutural e topografia, mas também análise de ciclo de vida de materiais, compensação de emissões de carbono, gestão de passivos ambientais e comunicação com comunidades impactadas. O perfil multidisciplinar deixou de ser diferencial e passou a ser critério de seleção em grandes concorrências.
É com esse entendimento que Odair José Mannrich e a Versa Engenharia Ambiental têm orientado os projetos da empresa: baseados na convicção de que a engenharia bem feita, em 2026, é inseparável da responsabilidade com o ambiente. Essa equação não é opcional. É a condição de permanência no mercado que está sendo construído agora.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

