Nos últimos meses, surgiram evidências de que influenciadores digitais e até um deputado estadual foram alvo de propostas financeiras significativas para defender o Banco Master nas redes sociais. A ação envolvia pagamentos milionários em troca de publicações que questionassem a liquidação da instituição pelo Banco Central, gerando debates sobre ética, transparência e manipulação de opinião pública. Este artigo analisa os detalhes dessas propostas, seus impactos políticos e sociais, e o contexto por trás dessa estratégia de comunicação.
O chamado “projeto DV”, em referência ao dono do banco, Daniel Vorcaro, estruturava pagamentos variáveis conforme o número de seguidores de cada influenciador. Perfis com mais de um milhão de seguidores chegaram a receber ofertas de R$ 2 milhões para postar oito vezes por mês durante três meses, enquanto contas menores, com até 500 mil seguidores, tinham propostas na ordem de R$ 250 mil pelo mesmo período. Em alguns casos, o pagamento foi realizado antes mesmo da primeira publicação, evidenciando o compromisso financeiro e a intenção de influência prévia.
Documentos, prints de conversas e comprovantes de depósito obtidos pela imprensa confirmam que a Agência Mithi, ligada a Thiago Miranda, ex-CEO e ex-sócio do Grupo Leo Dias, esteve no centro das negociações. Outra figura relevante no grupo, Flávio Carneiro, detém 60% das ações, mostrando a complexidade da estrutura societária por trás das propostas. Apesar da proximidade de alguns influenciadores com o grupo, o jornalista Leo Dias destacou que a agência não possui vínculo com seu portal e que Miranda deixou o comando do grupo em junho do ano passado.
O caso também revela o envolvimento de figuras políticas. O deputado estadual Leo Siqueira, conhecido por criticar o Banco Central, foi abordado pela Agência Mithi, mas recusou seguir com as negociações. A abordagem ocorreu por meio de mensagens de redes sociais enviadas por representantes da agência, que buscavam garantir a adesão de figuras com influência sobre a opinião pública digital. A recusa do parlamentar evidencia que, mesmo diante de propostas milionárias, a integridade e a avaliação ética ainda podem prevalecer, embora nem todos os envolvidos tenham tomado a mesma decisão.
A operação de convencimento e pagamentos clandestinos levanta questionamentos sérios sobre a manipulação de informações e a responsabilidade de influenciadores na disseminação de conteúdos que afetam a percepção pública sobre instituições financeiras. Ao transformar opiniões pessoais em mensagens patrocinadas secretamente, a prática distorce o debate social e pode criar desinformação sobre processos regulatórios e decisões do Banco Central. Além disso, a segmentação por número de seguidores demonstra uma lógica mercadológica que valoriza o alcance digital acima da credibilidade e da transparência.
Do ponto de vista prático, a situação expõe a necessidade de maior regulação sobre patrocínios e publicações digitais, especialmente quando há risco de impacto na economia ou no mercado financeiro. Plataformas de redes sociais, influenciadores e agências de comunicação precisam adotar práticas mais claras de transparência e sinalização de conteúdos pagos, garantindo que a audiência saiba distinguir opinião pessoal de conteúdo patrocinado. A sociedade civil, por sua vez, deve permanecer vigilante, questionando a autenticidade das informações consumidas online.
A repercussão do caso Banco Master também evidencia como relações entre mídia, influenciadores e atores políticos podem ser instrumentalizadas em campanhas de imagem ou crise. Estratégias que antes eram limitadas a assessorias de imprensa tradicionais agora atingem diretamente o público digital, tornando essencial a compreensão dos mecanismos de influência e seus efeitos sobre decisões individuais e coletivas.
O episódio não apenas coloca em debate a ética digital, mas também reforça o impacto do poder financeiro sobre o discurso público. O Banco Master e seus representantes tentaram utilizar perfis influentes para moldar narrativas favoráveis, deixando claro que a interseção entre dinheiro e informação é cada vez mais complexa. Com isso, a sociedade se depara com um alerta: a necessidade de consumo crítico e análise da origem de conteúdos antes de formar opiniões, principalmente sobre assuntos econômicos e regulatórios que afetam o país como um todo.
Em síntese, as propostas milionárias oferecidas a influenciadores e figuras políticas em defesa do Banco Master expõem a vulnerabilidade da comunicação digital a interesses corporativos e pessoais. Mais do que um escândalo financeiro, trata-se de uma oportunidade para repensar a responsabilidade ética no ambiente online e a importância da transparência na relação entre dinheiro, mídia e política.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

